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Estréia de O Santo Dialético

Fecha: 20/02/2016
Hora: 19:00

Projeto A Teoria do Brasil 26ª edição do Fomento ao Teatro Cia. Teatro do Incêndio apresenta experiência cênica e gastronômica em O Santo Dialético A peça estreia dia 20 de fevereiro e a partir de 4 de março estão agendados encontros sobre Literatura e Teatro com grupos da cidade. Durante as sessões, o diretor Marcelo Fonseca cozinha pratos típicos brasileiros referentes ao tema da peça (feijoada, acarajé e arroz carreteiro, entre outros). Projeto aborda a perda da ancestralidade. A obra do antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro emprestou o nome para o projeto A Teoria do Brasil, contemplado na 26ª edição do Fomento ao Teatro, que marca a estreia da peça O Santo Dialético, da Cia. Teatro do Incêndio, além da realização de oficinas (Terra Mestiça) e encontros sobre Poesia e Teatro com outras companhias (Poesia Cênica Conjugada). Com texto e direção de Marcelo Marcus Fonseca, o novo espetáculo entra em cartaz dia 20 de fevereiro, sábado, às 20h, na sede do grupo. Os ingressos custam R$ 5,00 (a bilheteria abre com duas horas de antecedência). Os grupos convidados para atividades abertas ao público se apresentam às sextas-feiras de março, às 21 horas. São elas: Cia. Pessoal do Faroeste (dia 4 de março), Cia da Revista (dia 11 de março), Grupo Redimunho de Investigação Teatral (dia 18 de março) e Cia Artehúmus de Teatro (dia 25 de março). As oficinas, ministradas pela companhia estão programadas para maio e vão gerar o núcleo de cultura do grupo. Sobre O Santo Dialético Na correria da metrópole, seis histórias são contadas. Um índio estuda para ser seminarista; uma moradora de rua se voluntaria para missão humanitária depois de sofrer uma overdose; uma prostituta chega à profissão após abandono da mãe, índia; um casal negro e evangélico é composto por um marido que se atordoa com o som do berimbau e uma esposa que não pode ter filhos; outro casal, caucasiano, é formado por mulher em tratamento de saúde e homem que não se reconhece no corpo masculino. Os enredos são contados concomitantemente e partem de uma mesma premissa: a perda da ancestralidade, da significação e da identificação pessoal. Quinze atores em cena costuram a trama ambientada numa arena de 18 por 7 metros, cercada pela plateia, da qual entram e saem pequenos cenários sobre rodas – como carros alegóricos. O espaço cenográfico móvel foi desenvolvido por Fabrizio Casanova. O dinamismo dá as mãos a uma trilha sonora mecânica e figurino cosmopolita: macacões jeans, assinados por Gabriela Morato – que também está em cena –, entrecortados por aplicações em outros tons do azul urbano. Tudo para o primeiro ato, na cidade. “Nela acontece a recusa de qualquer possibilidade de ancestralidade. A ideia é mostrar um Brasil retalhado, formado por fragmentos de diversos elementos históricos”, diz Marcelo Fonseca, idealizador do projeto A Teoria do Brasil. O espetáculo O Santo Dialético, cujo título brinca com o sincretismo brasileiro, circula por dois outros ambientes em seus 170 minutos, compostos por dois atos e um intervalo. Depois de 1h30 na ambientação da cidade, a plateia é guiada pelos atores até o terceiro andar do teatro. Durante 25 minutos, Marcelo Marcus Fonseca serve pratos escolhidos anteriormente pelos espectadores. “No intervalo, a plateia entra ainda mais no teatro, em vez de se desligar dele”, conta. O espectador pode decidir por não jantar. A experiência gastronômica resgata referências africanas, portuguesas e indígenas tanto na composição quanto na apresentação. A cada final de semana da temporada, um prato diferente é servido. Também entram no menu o caldo de mandioca, o acarajé, a tapioca e o arroz carreteiro, entre outros. A degustação custará entre R$ 20,00 e R$ 40,00 e acompanha salada e sobremesa (quitutes variados por sessão). Encaminhado em cortejo de volta à sala de teatro, o público se vê em um novo ambiente: uma floresta. A trilha sonora original, criada ao vivo pelo multi-instrumentista Bisdré Santos, diretor musical da peça, dá o clima ao espaço. Piano, percussão, violão de sete cordas e flauta dão o tom ao segundo ato, no qual a ancestralidade passa a ser o objeto de procura – mesmo que não se possa atestar que ainda exista. “Quando você não entende sua própria mitologia precisa preencher esse vazio com outras coisas”, explica Marcelo Fonseca. Sobre a Poesia Cênica Conjugada A partir de março, na Cia. Teatro do Incêndio, estão marcados encontros abertos com quatro companhias de teatro para debater a obra de poetas brasileiros. Depois de bate-papo conduzido em conjunto com o público, o grupo anfitrião e a companhia convidada improvisam cenas que dialogam com o autor enfocado no dia. Os encontros ocorrem nas sextas-feiras de março, às 21h. A Cia. Pessoal do Faroeste abre os trabalhos no dia 4. Na ocasião, o poeta abordado em debate e em cena é o mato-grossense Manoel de Barros, falecido em 2014, aos 97 anos. Manoel é conhecido principalmente pelo uso do neologismo e da temática rural em sua vasta e premiada obra. Na próxima semana, dia 11, a Cia da Revista visita a obra do poeta Jorge de Lima (1893 – 1953), importante figura do modernismo brasileiro. O Grupo Redimunho de Investigação Teatral, cuja pesquisa de anos se aprofunda na obra de Guimarães Rosa (1908 – 1967), autor do clássico Grande Sertão: Veredas, compartilha seus processos na sede da Cia do Incêndio no dia 18. O desfecho será dia 25, quando a poesia simbolista e aliterada de Cruz e Sousa (1861 – 1898) acende um encontro com a Cia Artehúmus de Teatro. As "performance-happening-saraus", mediadas pelo poeta Claudio Willer e antecedidos por breve histórico de cada escritor, serão seguidas de debates sobre os autores e experimentos teatrais. Para Marcelo Fonseca, "essa é também uma forma de trocar ideias sobre processos, práticas e fortalecer laços com uma geração". De acordo com o diretor, “a proposta dos encontros é gerar experimentações sobre a obra dos poetas a partir da linguagem de cada uma das companhias convidadas”. Sobre as escolhas dos autores e das companhias, Marcelo diz que buscou artistas que dialogassem fortemente com a cultura brasileira e com a proposta de A Teoria do Brasil. Para roteiro O Santo Dialético, da Cia Teatro do Incêndio. De 20 de fevereiro a 17 de abril, sábados, às 20h, e domingo, às 19h. Endereço: Rua Treze de Mario, 53 – Bela Vista, São Paulo. Classificação: 14 anos. Duração: 170 minutos (intervalo de 25 minutos). Capacidade: 80 lugares. Ingressos: R$5 (preço único) Poesia Cênica Conjugada. De 4 a 25 de março, sextas-feiras, às 21h. Endereço: Rua Treze de Mario, 53 – Bela Vista, São Paulo. Classificação: Livre. Duração: 60 minutos. Capacidade: 80 lugares. Grátis Ficha Técnica Texto e Direção geral: Marcelo Marcus Fonseca. Direção Musical, Composições Originais e Música ao vivo: Bisdré Santos. Figurinos: Gabriela Morato. Cenografia: Fabrízio Casanova. Iluminação: Helder Parra e Marcelo Marcus Fonseca. Fotos: João Caldas. Preparação Vocal: Alessandra Klaus Zallaf. Assistência de direção: Sérgio Ricardo. Produção: Cia. Teatro do Incêndio. Trilha sonora mecânica: Marcelo Marcus Fonseca e Bisdré Santos. Coreografia: Gabriela Morato. Operação de Luz: Helder Parra. Operação de Som: Victor Castro. Assistente de Produção, cenografia e montagem: Victor Castro. Responsável técnico: Antonio Rodrigues. Assessoria de Imprensa: Arteplural Realização: Cia. Teatro do Incêndio. Atores: Gabriela Morato, Francisco Silva, Elena Vago, Luciana Fernandes, Thiago Molfi, Wallace de Andrade, Victor Dallmann, João Costal, Silvia Maciel, Felipe Samorano, Victoria Cavalcante e Valcrez Siqueira.
Teatro do Incêndio
Rua Treze de Maio, 53
São Paulo
São Paulo Brazil

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