Entramos no último mês da temporada de " O Santo Dialético".
Apresentação
“O Santo Dialético” é um espetáculo poético-musical sobre a ancestralidade brasileira e o que dela sobreviveu nos centros urbanos. A peça faz parte do projeto “A Teoria do Brasil”, contemplado pela 26ª edição da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade De São Paulo, abarcando 11 meses de pesquisa com apoio de ciclo palestras com curadoria do tradutor, ensaísta e poeta Claudio Willer.
O Espetáculo
A obra do antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro emprestou o nome para o projeto A Teoria do Brasil, contemplado na 26ª edição do Fomento ao Teatro, que teve como finalização a estreia da peça O Santo Dialético, da Cia. Teatro do Incêndio.
Na correria da metrópole, seis histórias são contadas. Um índio estuda para ser seminarista; uma moradora de rua se voluntaria para missão humanitária depois de sofrer uma overdose; uma prostituta chega à profissão após abandono da mãe, índia; um casal negro de camelôs é composto por um marido que se atordoa com o som do berimbau e uma esposa que não pode ter filhos e passa a ter visões estranhas; outro casal, caucasiano, é formado por mulher em tratamento de saúde e homem que não se reconhece no corpo masculino. Os enredos são contados concomitantemente e partem de uma mesma premissa: a perda da ancestralidade, da significação e da identificação pessoal.
Treze atores em cena costuram a trama ambientada numa arena de 18 por 7 metros, cercada pela plateia, da qual entram e saem pequenos cenários sobre rodas – como carros alegóricos. O espaço cenográfico móvel foi desenvolvido por Fabrizio Casanova. O dinamismo dá as mãos a uma trilha sonora ao vivo originalmente composta mesclado a sons mecânicos e figurino cosmopolita: macacões jeans, entrecortados por aplicações em outros tons do azul urbano. Tudo para o primeiro ato, na cidade. “Nela acontece a recusa de qualquer possibilidade de ancestralidade. A ideia é mostrar um Brasil retalhado, formado por fragmentos de diversos elementos históricos”, diz Marcelo Fonseca, idealizador do projeto A Teoria do Brasil.
O espetáculo O Santo Dialético, cujo título brinca com o sincretismo brasileiro, circula por dois outros ambientes em seus 150 minutos, compostos por dois atos e um intervalo. Depois de 1h20 na ambientação da cidade, a plateia é guiada pelos atores até outro ambiente do teatro. Durante 25 minutos, Marcelo Marcus Fonseca serve pratos escolhidos anteriormente pelos espectadores. “No intervalo, a plateia entra ainda mais no teatro, em vez de se desligar dele”, conta. O espectador pode decidir por não jantar.
A experiência gastronômica resgata referências africanas, portuguesas e indígenas tanto na composição quanto na apresentação. A cada final de semana da temporada, um prato diferente é servido, começando pelo maior caldeirão de referências da culinária brasileira – a feijoada. Também entram no menu o caldo de mandioca, o acarajé, a tapioca e o arroz carreteiro, entre outros. A ideia de comer está intimamente ligada ao espetáculo, tratando a comida como ritual, no qual o espectador vive uma experiência coletiva de celebração, sendo servido pelos atores.
Encaminhado em cortejo de volta à sala de teatro, o público se vê em um novo ambiente: uma floresta. A trilha sonora original, criada ao vivo pelo multi-instrumentista Bisdré Santos, diretor musical da peça, dá o clima ao espaço. Piano, percussão, violão de sete cordas e flauta dão o tom ao segundo ato, no qual a ancestralidade passa a ser o objeto de procura – mesmo que não se possa atestar que ainda exista. “Quando você não entende sua própria mitologia precisa preencher esse vazio com outras coisas”, explica Marcelo Fonseca.
O texto foi escrito durante o processo de ensaios, construído ao lado da encenação, procurando manter o público sempre surpreso, mesclando referências da vida cotidiana com elementos mitológicos da cultura brasileira.
Dando espaço a dança, são apresentadas vinte e nove expressões de danças populares como o jongo, o pau maneiro, a umbigada, o pau de fita, entre outras, no rimo confuso imposto pela cidade, dominando personagens como encantamento. O espetáculo ainda mescla linguagens teatrais diversas, como expressionismo, realismo e narração, em busca de um mergulho humano na essência de pessoas comuns, que dentro de si, trazem o ouro da poesia de ser gente.
INFORMAÇÕES
Temporada até 17/04
Sábado às 20 horas
Domingo às 19 horas.
Duração: 150 minutos
Ingressos: R$ 5,00
Reserva de ingresso: 11 2609 3730
Teatro do Incêndio
Rua 13 de Maio, 53 - Bela Vista - São paulo Teatro do Incêndio
Rua Treze de Maio, 53
São Paulo
São Paulo
Brazil
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