Giegling: Kettenkarussell x Konstantin x Leafar Legov

Fecha: 26/05/2017
Hora: 23:45
Giegling Em crianças, no recreio da escola, tudo parecia simples, tudo era despreocupado. O momento vivia-se, planos não se faziam. A inocência amplificava a descoberta, as sensações não tinham filtros. São os membros da Giegling que usam a analogia do recreio da escola para o que fazem, e é de coisas simples que se faz a Giegling. O colectivo multidisciplinar de Weimar (Alemanha) tornou-se um fenómeno inesperado e quase acidental da electrónica dos últimos anos, partindo da simples vontade de um grupo de amigos, que inclui de DJs a produtores, de artistas plásticos a artistas audiovisuais, em criar uma bolha de memórias e atmosferas paralela ao mundo real. Como de algo intimista e quase reclusivo, se chegou a um fenómeno mundial, não é fácil explicar. É inegável o talento de nomes como Vril, Traumprinz, Leafar Legov, Edward, Ateq ou Kettenkarussell na criação de um universo sonoro à parte, ou dos artistas visuais do colectivo em criar uma imagem imediatamente distintiva. Mas talvez a raíz de tudo esteja em que a uma club scene por vezes frenética e opressiva como a actual, a Giegling contrapõe intimismo, poesia e emoções nuas. Inconscientemente, a Giegling tocou naquele que talvez seja um dos males maiores deste tempo, o de que este mundo cada vez mais nos força a crescer demasiado rápido, propondo assim uma outra forma de viver esse tempo. Saboreemos por uma noite a beleza das coisas simples, no recreio da Giegling. KETTENKARUSSELL Primeiro os factos. Os Kettenkarussell são o duo constituído pelos dois outros nomes em cartaz esta noite, Leafar Legov e Konstantin (ou Herr Koreander). É deles o próximo longa-duração a editar pela Giegling, ‘Insecurity Guard’, e foi com eles que toda a aventura começou, em 2009, com o primeiro lançamento da label, ‘I Believe You And Me Make Love Forever’. Aquilo que fazem é fundamental na definição do imaginário Giegling, ao apresentarem uma espécie de house em câmara lenta, repleto de samples de filmes e canções obscuras pintados sobre construções sonoras luxuriantes e acolhedoras. Nostálgicas, fumarentas, assombradas e verdadeiras, as suas criações são como fotografias em tons sépia dos tais momentos singelos e de honestidade arrebatadora que trespassam muitas das emissões da editora de Weimar. Um carrossel de sons que é também uma montanha russa de emoções. LEAFAR LEGOV Leafar Legov é um homem nostálgico pelas salas de chill-out das festas de trance de outros tempos. É importante saber isto porque dá muito sentido ao que se escuta na sua, por ora, esparsa discografia. A espiritualidade e busca pela transcendência são notas dominantes no que nos dá a ouvir, seja nas cadências mais downtempo do seu EP ‘ Talk’, seja no sublime podcast que entregou à Resident Advisor há uns meses atrás, que no fundo servia quase de álbum não oficial, marcado por abordagem um pouco mais orientada para a pista. Perto do final desse set, encontramos um momento que encapsula algo que é chave para entender a Giegling. Sobre uma colagem de samples de música “new age”, que Leafar Legov tanto aprecia, uma série de vozes descrevem, parecendo hipnotizados, momentos de revelação e êxtase místico por si vividos, criando a elegia de um renascimento para a vida. Uma antiga lenda hindu conta que, por inveja, os Deuses esconderam a divindade do Homem no único sítio onde ele nunca a poderá encontrar, pois ele nunca olha para lá: no interior de si mesmo. Que Leafar Legov acredite que quanto mais calmo o que nos rodeia, melhor podemos escutar a nossa alma, é revelador do que podemos esperar esta noite. KONSTANTIN Se é que se pode falar de uma figura deste tipo no colectivo Giegling, Konstantin é o mais provável candidato a ser visto como o mentor do grupo. Ele considera-se o motivador ou provocador da família idiossincrática que é a Giegling e, enquanto DJ, o representante do som do colectivo, tanto assim que o reclusivo Traumprinz/Prince Of Denmark, o mais celebrado nome da editora, recusando-se a actuar ao vivo, praticamente o tornou no seu delegado para esse fim. Konstantin é também o mais abertamente “techno” de entre todos, desfilando um som geralmente duro e percussivo mas também cinemático e atmosférico (muitas vezes em simultâneo), que produz um inexplicável equilíbrio entre força e graciosidade. O próprio Konstantin diria que isso acontece porque gosta de tocar de forma disfuncional. O que isso significa ao certo só ele sabe, mas garantidamente Konstantin gosta de levar a pista à beira do abismo e fazê-la olhar para esse abismo. Esta noção de desafio da percepção do público é essencial para Konstantin, porque a verdade é que todos buscamos algo quando saímos à noite, algo mais do que passar o tempo e estar com os amigos. Todos buscamos um sentimento. Buscamos transcender a nossa realidade, escapar para algum lugar, conectar com algo maior que nós. E Konstantin vai levar-nos lá. - Nuno Mendonça \\ ENGLISH // GIEGLING As children, in the school playground, everything seemed simple, everything was worry-free. We lived in the moment, plans weren´t made. The innocence amplified each discovery, sensations were unfiltered. Giegling´s own members like to use the kindergarten analogy for what they do, and it´s the simple things that make Giegling what it is. The multidisciplinarian Weimar (Germany) collective has become an unexpected and almost accidental electronic music phenomenon over the last few years, beginning with the simple wish of a group of friends, including DJs and producer, plastic and audiovisual artists, in creating a bubble of atmospheres and memories parallel to the real world. How something so intimate, almost reclusive, became a worldwide phenomenon, is hard to explain. There is the undeniable talent of names like Vril, Traumprinz, Leafar Legov, Edward, Ateq or Kettenkarussell in creating a stand-out sonic universe, or in the collective´s visual artists in coming up with a distinctive image. But maybe the root of it all is that, to a club scene that is sometimes oppressive and frantic, Giegling counterpoints with intimacy, poetry and naked emotion. Unconsciously, Giegling had tapped into one of this time´s biggest illnesses, that of a world that forces us to grow too fast, thus proposing a different way to live that time. Let´s savour, then, the beauty of the simple things, in Giegling´s playground. KETTENKARUSSELL Facts first. Kettenkarussell are a duo made up by the two other names on the line-up for this night, Leafar Legov e Konstantin (or Herr Koreander). The next long-player to be put out by Giegling, ‘Insecurity Guard’, is by them, and it was with them that the whole adventure began in 2009, with the label´s first release, ‘I Believe You And Me Make Love Forever’. What they do is essential to define the Giegling imaginary, by presenting a sort of slow-motion house music, full of samples of movies and obscure songs, painted over lush and cozy sonic constructions. Nostalgic, smoky, haunting and true, their creations are like sepia-toned photographs of the simple moments and disarming honesty that crosses over many of the Weimar label´s emissions. A sonic merry-go-round that is also a rollercoaster of emotions. LEAFAR LEGOV Leafar Legov is a man nostalgic for the chill-out rooms of the heydays of trance parties. It´s important to know this, as it helps make sense of what we can listen to in his, for now, sparse discography. Spirituality and the search for transcendence are strong notes in what he brings us, be it in the more downtempo leanings of his ‘Talk’ EP, or the sublime podcast he delivered to Resident Advisor some months ago, which almost served as an unofficial album, displaying a more club-friendly but still considered approach. Near the end of that set, we find a moment that encapsulates something that is key to understanding Giegling. Over a collage of new age music samples, something which Leafar Legov is quite fond of, a sequence of voices describe, seemingly hypnotized, moments of revelation and m

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