Rádio Quântica #3

Fecha: 29/06/2017
Hora: 23:45
Terceiro episódio da residência bimestral da Rádio Quântica no LuxFrágil, com: BLEID (live) BLEID, o pseudónimo artístico com que uma das mais entusiasmantes produtoras Lisboetas assina as suas esculturas sónicas, é um nome que se ouve cada vez mais no underground nacional, seja pelo apelo inegável das suas faixas, seja pelas suas actuações inebriantes em formato live act. Por cá, já passou pelo Out.Fest, pelas Noites Príncipe - mas também corre a Europa e já actuou num dos venues do momento em Londres, a Camden Assembly, e o festival austríaco Hyperreality. Há quem a compare a Actress ou a Tim Hecker e a associe a coordenadas pós-IDM - BLEID é isso tudo, sim, mas é muito mais. BLEID representa uma nova geração esclarecida e fresca: entende a música como um contínuo que, independentemente da forma, existe para (re)mexer a alma - e por isso pode ir do drone hiper visceral à música de dança mais colorida e sincopada sem comprometer o seu cariz evocativo. Prepara os seus live acts com essa mesma premissa generosa em mente - escreve a música e as modulações de propósito para cada slot que toca, adaptando-se ao line-up em que se insere sem perder um milímetro de feeling. Sabemos que está a preparar uma coisa especial para a sua estreia em Santa Apolónia. Decorem o seu nome: ainda é só o começo. Chima Hiro Chima Hiro é Rinchen Gatete, provavelmente a belga mais lisboeta de… sempre? A Lisboa de que falamos é, claro, aquela que admiramos mais: aberta, luminosa, completa, multicultural, cheia de nuance e calor humano. Primeiro que tudo uma fã de música com uma voz muito própria, Chima tornou-se no último par de anos numa espécie super-heroina dos dance moves e das slow jams - as escolhas coloridas, mordazes e honestas que faz para o seu programa de rádio NYCE & SLO na Quântica são testemunho desse ímpeto, e vão do new age ao jazz, música ambiente ou, beats distorcidos ou house melódico. O seu percurso enquanto DJ anda de mãos dadas com a sua estreia na rádio: é ainda curto mas já a levou a cabines de algumas das festas mais interessantes do underground lisboeta. É assim que acontece quando as coisas vêem de dentro. O seu sentido de humor já a levou a descrever os seus sets como YOLO FENG SHUI ou SpaceShip Disco, e a suas expansividade já fez com que aparecesse em várias colaborações ao vivo - partilhou pratos, CDJs e mesa de mistura com muitos nomes entusiasmantes do fértil solo nacional: SONJA e Jackie; DJ Carie; La Young; Afonso Simões (a.k.a. DJ Crazyman ou Stasera) ou Mário Valente. Uma voz urgente de se ouvir e uma lufada de ar fresco. Uma mulher sem medos. Como merece o bar do Lux Frágil. Gonçalo Siopa Ainda estava a despontar a primeira década do século XXI quando Gonçalo Siopa começou a rodar os discos que o faziam estremecer em diversos clubes de Lisboa - e mais tarde também em outras cidades. O carácter da sua colecção de vinil é um de calor baleárico, exuberância disco e grão soul. Mas com a música de Siopa os adjectivos sabem a pouco: em nada as suas selecções podem ser classificadas, nem previstas, e nem por isso são menos infecciosas. Esse talento raro valeu-lhe longas residências em cabines tão essenciais como a do Frágil, por exemplo. Residente também na Rádio Quântica, onde conduz bimensalmente um slot de duas horas chamado 'Arrepio', Siopa vai, ano após ano, aperfeiçoando ad infinitum a sua habilidade de navegar a linha que interessa, aquela que representa a intersecção dos quadrantes do bom gosto, do feeling, do conhecimento e da intuição para fazer dançar. Quase 20 anos a fazer dos pratos a sua voz deram mais do que certo, e o bar do Lux é a arena perfeita para receber a visão deste herói local. Photonz Embora a sua música soe sempre fresca, Photonz já anda nisto há mais de uma década: Marco Rodrigues lançou o seu primeiro EP em 2006 na editora londrina Living Records e, desde então, construiu um caminho ladrilhado de música de dança inventiva que lhe deu um perfil de culto entre fãs de música de dança crua, inspirada no movimento rave. As suas produções foram lançadas em editoras underground tão icónicas como 20/20 Vision, Skylax, Dissident, Crème Organization (e a sua sub-label R-zone), Unknown To The Unknown de DJ Haus e muitas mais. É o produtor por detrás de uma das faixas underground mais ubíquas do ano passado, o seu remix para 'Institute of the Overmind' de Legowelt foi parar às malas de discos de um vasto número de DJs de topo - incluindo Mike Servito, DJ TLR, Adriatique, Volvox ou DJ Haus. O seu som, enquanto DJ e produtor, é uma nova abordagem aos legados da house de Chicago, techno (e electro ao estilo Drexciya) de Detroit e, claro, as influências formatvas da cena rave portuguesa dos anos 90 e nomes-charneira como DJ Vibe ou Kaos Records. O resultado é um som-assinatura que lhe grangeou o apoio do luminários como Legowelt, Blawan, Ben UFO, Trevor Jackson, Jackmaster ou Dan Avery e levou as suas DJ skills a clubes em Berlim, Londres, Paris, Lyon, Barcelona e mais cidades europeias - incluindo também aparições em festivais como o Sònar Barcelona, Lovebox de Londres ou o português Sudoeste. Marco é também fundador da One Eyed Jacks, uma editora que é sinónimo de alguma da música de dança mais essencial vinda de Portugal - e casa das primeiras produções de artistas como Violet, Roundhouse Kick, Pal +, Lake Haze e do design gráfico de Márcio Matos, também da Príncipe Discos. Essa mesma dedicação ao underground português manifestou-se ainda quando, em 2015, Marco juntou forças com Violet para fundar a estação de rádio online Rádio Quântica, também a nova casa do seu programa Princípio da Incerteza. SOLUTION A sua obsessão com a vanguarda é algo que define Solution e transpira pelos poros de toda a sua produção artística - seja no seu DJing, na produção musical, design gráfico ou design de moda. Um autêntico homem da Renascença - se esta acontecesse amanhã. Membro nuclear da crew portuense Terrain Ahead - de onde saíram outros notáveis do novo underground português como IVVVO ou Trikk - Tiago Carneiro é uma das pérolas do tecido cultural Portuense, e a sua reputação como DJ é imaculada. Enquanto organizador das festas Moderna, Solution trouxe ao Porto alguns dos nomes mais rasgantes do underground global - Madteo, Positive Centre, Not Waving, Lukid, Powell e Florian Kupfer foram alguns dos seus convidados - e como DJ, trata o seu público com o mesmo respeito e generosidade. É conhecido por fazer funcionar coisas que a muitos DJs assustaria tocar, fluente num diálogo com a pista que permite novidade experiencial, e não apenas disco novos. É por tudo isto que é sussurrado como sendo um dos melhores DJs portugueses junto dos mais atentos, e o seu regresso ao Lux é urgente. - Inês Coutinho \\ ENGLISH // BLEID (live) BLEID, the artist name that one of the most exciting Lisbon producers uses to sign her sonic sculptures - is a name that comes up more and more in the local undeground, be it because of the undeniable appeal of her tracks or because of her inebriating performances in live act format. In Portugal, she's played Out.Fest and the Príncipe nights - but she also tours Europe and has performed in one of London's venues-of-the-moment Camden Assembly and Austrian festival Hyperreality. She's been compared to Actress or Tim Hecker and associated with post-IDM coordinates - BLEID is definitely all that, but she's lots more. BLEID represents a perceptive, fresh new generation: she understands music as a continuum that, despite of its form, exists to shake the soul - and so it could go from hyper visceral drone to colourful, syncopated dance music without compromising its evocative quality. She prepares her live acts with that same generous idea in mind - she writes the music and its modulations on purpose for each slot she plays, adapting to the line-up she's part of without losing an inch of her feeling. We know she is readying something special for her Santa Apolónia debut. Remember her name, as this is jus

Lux Frágil
Avenida Infante Dom Henrique
Lisbon